sábado, 26 de fevereiro de 2011

QUEM É VOCÊ??!

Foto: http://canseivoucomer.blogspot.com/
Eugenio Barba

Eu penso o teatro como um corpo que perde continuamente sangue. Algumas vezes em que ele vai para as ruas e reencontra a realidade, ele recebe golpes, perde sangue através de feridas que não cicatrizam. O corpo do teatro não pode viver de seu próprio sangue. Sua hemofilia exige que ele se alimente do sangue que vem de outros corpos. Ele tem sempre necessidade de novo sangue, ele não pode sobreviver por ele mesmo.

Existe um teatro hemofílico que nega sua condição: de uma beleza diáfana, em sua torre de cristal, ele é cercado de magistrados e exegetas que o proclamam eterno e empreendem operações de revigoramento através de diágnósticos e teorias. Mas existe um teatro consciente de suas hemorragias, que se afasta do círculo protetor dos sábios e parece se perder em uma realidade que o ignora e o degrada, um teatro que não sabe o que fazer, e que, em colisão com a realidade, sangra. 

Você perde sangue, mas se você se recusa a ficar estendido em uma maca, você transpõe uma fronteira que conduz a uma espécie de terra-de-ninguém: atrás de você, se estende o território do teatro; diante de você, uma outra fronteira. Você ignora para qual território ela te leva. Você avança prudentemente, mas com obstinação.

Eventualmente, teus passos te fazem recuar, na direção da fronteira do teatro, e então os sábios e os magistrados sorriem, aliviados. Às vezes, você parece prestes a desaparecer no horizonte e teu destino se afigura como incompreensível. Afinal, quem é você? Um solitário que desaparece no deserto ou alguém que, avançando, e ainda que se perdendo, chega a traçar uma pista?

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Este fragmento foi extraído do livro "L'étranger qui danse" (Maison de la Culture de Rennes et Odin Teatret ApS/1977), e leva a assinatura do diretor do Grupo Odin. A tradução e o título ficaram por conta do crítico de Teatro, Lionel Fischer.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

EXERCÍCIOS PARA O ATOR: DESENVOLVENDO TÉCNICAS ESPECÍFICAS

Uma vez "dono" de um papel em uma peça, ou em uma cena escolhida, você provavelmente começará por examinar o seu papel, a fim de descobrir o que precisa fazer (você poderá inclusive vir a contar as linhas que lhe couberam a fim de satisfazer o seu ego). Poderá descobrir que entre os seus deveres estão, por exemplo, o de chorar, rir ou bater em alguém no palco. Talvez você fique excitado com relação às possibilidades dramáticas inerentes a tais situações, mas também é possível que você fique assustado antevendo um possível fracasso.

Regras

Há poucas regras minuciosas para se comunicar a emoção num palco. Mas há alguns métodos eficientes, que serão discutidos em seguida. Descubra qual deles funciona para você e bom proveito. Seu diretor dificilmente terá tempo para chamá-lo num canto e explicar-lhe como expressar uma determinada emoção. Lembre-se de que você estará no palco com outro ser humano. Seria terrível ter de contracenar com um ator auto-indulgente, cujo riso ou choro o deixasse com o fracasso estampado no rosto. Tarefas físicas ou emocionais no palco não constituem objetivos ou resustados em si; elas devem ser vistas como resultados naturais, que se desenvolvem a partir de determinados objetivos e do partilhar de momentos dramáticos entre colegas atores.

CHORAR

Procedimento - sente-se em posição relaxada. Tente se lembrar de um acontecimento triste do passado recente. Nesse processo de lembrança, procure se concentrar nos aspectos sensoriais do mesmo, recriando os momentos mais intensos de sua dor em associação com os cheiros, gostos, sons e percepções visuais que o afetaram naquele momento. Tente centrar a sensação na área pélvica e "dirija" a respiração para esta área de maneira lenta e ritmada, à medida que vai se lembrando das imagens sensoriais.

Boceje e procure manter a sensação do bocejo em sua garganta durante a inalação e a exalação. Faça isso durante um minuto. Em seguida, comece a vocalizar a inalação suavemente. Pense na exalação como a maneira de se relaxar, a fim de propiciar o processo de vocalização. Deixe sua inalação passar pelas cordas vocais produzindo assim um gemido suave. Faça isso durante um minuto, lembrando-se de manter a sensação de bocejo na garganta. Chegue ao clímax do exercício acelerando o ritmo e arfando a cada inalação até chegar ao ponto máximo, sem muito esforço. Tente escontrar um ritmo staccato próprio para a inalação. E, finalmente, enquanto estiver exalando, faça a devida vocalização, em forma de queixume. Alcançando o choro, vá diminuindo o ritmo gradativamente.

Discussão - a "memória sensorial" foi necessária? O ato de bocejar foi suficiente para umedecer os seus olhos? Você descobriu que manter o bocejo lhe dá uma sensação de ter um "nó na garganta"? Conscientemente procure produzir o mesmo som que conseguiu durante o exercício, mas use a exalação, ao invés da inalação.Qual dos métodos requer mais tensão? Usando a exalação para recriar o som faz você repuxar as cordas vocais? O som teatral do choro deveria ser conseguindo "exatamente aí", durante a inalação. Entretanto, a inalação poderá lhe dar a sensação de ter a garganta ressecada. Tente relaxar durante esse processo, de inalação, usando a exalação para aliviar a garganta.Engula e produza salivação, se sentir secura. E não tente com desespero.

Quanto maior for a intensidade do exercício, maior a intensidade dramática. Qual a diferença entre um som contínuo e um som staccato? Procure fungar pelo nariz em intervalos entrecortados. Isto faz o choro parecer mais real? Contagia a platéia?

É imprescindível produzir lágrimas verdadeiras? Você poderia conseguir isto fazendo uso de truques requintados? Um ator não deve ter a obsessão de querer "chorar lágrimas de verdade". Lágrimas podem ser o produto de um objetivo frustrado que você está está tentando alcançar, mas concentrar-se exclusivamente nelas faz você negar a existência de outros atores que possam estar no palco com você. Há outras técnicas de chorar - olhar para dentro do "Leeko" (instrumento luminoso) fará, com certeza, com que lágrimas apareçam, mas também vai prejudicar a retina do seu olho. O ator nunca deve pôr em risco seu físico ou seu bem-estar em prol do "sucesso do espetáculo".

Chorar também oferece alguns perigos. Você tem que saber quando termina o choro e quando começa a auto-piedade. A platéia não vai querer entrar em contato com ela. Chorar no palco pode ser muito bonito, dependendo de sua atitude. Se você usa o choro para chamar a atenção da platéia sobre você, então não mais estará contracenando com os colegas. Um crítico experiente vai chamar isto de "golpe baixo".

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Artigo extraído de "The Student Actor's HandbooK", L. J. Dezseran; Mayfield Publishing Co., 1975. Tradução de Thaís A. Balloni. O presente artigo, aqui reduzido - o restante está focado no riso - consta da edição da revista Cadernos de Teatro nº 82/1979.

TODO ATOR OU ATRIZ CHORA


Mário, você é ator. Então chora aí.

Todo ator já se viu em uma situação constrangedora como essa ou ainda vai se ver. E, acreditem, se lágrimas escorreram de seus olhos: foi de desgosto. 

Ninguém chora sem motivo. Se não for concreto. No mínimo é descontrole emocional. As pessoas muitas vezes confundem atuar com fingir. E mesmo fingir é um motivo.

Se eu choro. Eu choro. Choro para não rir. E muitas vezes fico triste de verdade. Parafraseando Ham. 

Ninguém controla as emoções porque um outro o quer. Um ator quando chora é porque alguma emoção forte o levou a isso. Um motivo qualquer. Na maioria das vezes é a própria ação em cena que o leva a tal. Não um comando. Não uma obrigação. Somos atores porque nos emocionamos com nosso próprio trabalho. E não porque fingimos nos emocionar.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

NOTICIAS SOBRE O ATO POÉTICO "A UM 'PAÇO' DA ABERTURA"

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Foto: Laila Saad Pulchério
O Colegiado Setorial de Teatro de Campo Grande deu continuidade nesta sexta feira, 18 de fevereiro, ao ato poético em frente ao Paço Municipal José Octavio Guizzo, localizado na Prefeitura Municipal de Campo Grande.

Por volta das 10h30, os artistas começaram a chegar com roupas coloridas, perucas, pernas de pau, máscaras e instrumentos musicais para dar início ao ato pacífico. Os passantes paravam para ver e ouvir a manifestação criativa e bem humorada que reinvidicava 1% do orçamento municipal para a cultura, pagamentos dos editais de 2010, como as Leis do Fomento ao Teatro, com valor de R$100.000,00 e do Fundo Municipal de Investimentos Culturais, com valor total de R$ 350.000,00 do ano de 2010 e a reativação do Teatro do Paço para a atividade teatral.

O cortejo seguiu dando voltas em torno da prefeitura e cantando: “Lei é lei, 1% pra cultura!” Os servidores do prédio da prefeitura, separados do cortejo por uma porta de vidro fechada, ouviam atentos as falas de atores, atrizes, diretores e produtores teatrais que esclareciam: “... este é um ato pacífico feito pelos artistas de Campo Grande, para que sejam cumpridas as leis de incentivo a cultura. Há um ano esperamos o repasse do recurso...somos trabalhadores como vocês e queremos nossos direitos respeitados.” “Campo Grande tem artistas talentosos e premiados, queremos que a população nos conheça cada vez mais, queremos arte nas escolas, praças e ruas da cidade.”

O cortejo foi seguido também por vários guardas municipais cuja presença foi incorporada com descontração pelos artistas. Estes diziam que a guarda municipal estava ali para protegê-los e não deixar que nada pudesse interferir no ato.

Os estudantes que passavam no local, alguns adolescentes e crianças acompanhadas dos pais, pararam para ver o colorido do grupo ao som dos instrumentos e foram platéia interativa para a apresentação do carismático Mágico Rick Thibau, que finalizou o ato convocando todos para a próxima sexta feira, dia 25 de fevereiro, às 16h30, em frente ao Paço Municipal José Otávio Guizzo.

Histórico do Ato

De acordo com a classe o movimento denominado 'A um PAÇO da Abertura', que vem ocorrendo desde o dia 11 de fevereiro e segue até o fim do mês de março, pretende chamar a atenção da população da cidade para os grupos, o movimento artístico local e também para as reivindicações da classe artística como; a reforma e abertura do prometido Paço Municipal José Octavio Guizzo inativo a quase duas décadas. O cumprimento imediato do Plano Municipal de Cultura, lei esta que foi aprovada e sancionada pelo Prefeito Nelson Trad Filho em dezembro de 2009. E a antiga reivindicação da classe que é o aumento do orçamento municipal para a cultura passando a 1%. Porcentagem que também está na Lei do Plano Municipal de Cultura de Campo Grande.

De acordo com um dos integrantes do movimento, Vitor Hugo Samudio. "A intenção é chamar a atenção da população, do poder executivo e legislativo para o problema que enfrenta a cultura da cidade com a falta de investimento previsto em lei", afirma o diretor. A assessoria informou que o prefeito Nelson Trad viajou nesta quarta-feira de madrugada para Brasília onde buscará recursos para a reforma do Teatro do Paço, o movimento diz que já é uma primeira sinalização do ato ocorrido na ultima sexta. No ultimo dia 04 deste mês o grupo de artistas protocolou um oficio no gabinete solicitando o pagamento imediato dos recursos dos editais de 2010 do FOMTEATRO (Fundo Municipal de Fomento ao Teatro) e FMIC (Fundo Municipal de Investimento Cultural) que quase uma ano depois não foi repassado aos artistas contemplados, e uma audiência em caráter de urgência com o Prefeito, audiência esta que até o momento não foi marcada. "A luta da classe este ano será para o cumprimento da lei do Plano Municipal, implantação do 1% do orçamento para a cultura, aumento do orçamento dos fundos de investimentos culturais que hoje somados dão somente 350 mil reais e que beneficiando poucos artistas, e a discussão de uma política pública para a cultura, em breve faremos este movimento na Câmara dos Vereadores para que eles possam nos dar suporte a todas essas discussões através de audiências e reformulações de algumas leis do município", relata Fernando Cruz integrante do movimento.

O movimento, que vem ganhando mais adesões de artistas, intelectuais, redes sociais e simpatizantes da arte e cultura, vai continuar até o dia 27 de março, dia internacional do teatro, com o objetivo de chamar a atenção da população e da classe política sobre o problema de baixo orçamento na pasta da cultura da capital.

Como Participar

Diversos grupos vão se alternar nas apresentações que acontecerão sempre as sextas, até o final de março sempre em frente ao desativado Paço Municipal, começando com um cortejo em volta da prefeitura e com a apresentação de um espetáculo em frente ao teatro. Na próxima sexta -feira (25), às 16h30, é a vez da apresentação do Grupo DESNUDOS. O movimento é aberto a todos os simpatizantes e os espetáculos são gratuitos.


VOCÊ SABE COMO SURGIU A "DÁLIA"??!


Você sabia que a dália, flor originária do México, onde é muito popular, também está relacionada ao teatro?

No período asteca, os índios mexicanos já cultivavam as dálias, flores encorpadas de variadas formas e cores. Por volta do final do século XVIII, durante uma visita ao México, o diretor do Jardim Botânico de Madri, encantou-se com essas flores e levou essa espécie até a Europa, a flor se adaptou muito bem ao clima temperado.

O botânico sueco A. Dahl, que inspirou o nome dália, foi o responsável pela expansão dessas flores pela região nórdica européia, mas foi a imigração holandesa que contribuiu muito para a propagação desta flor no Brasil. Na sequência, unindo o útil ao agradável, as dálias foram enfeitar os cantos da cena de muitos espetáculos e programas de televisão.

Inspirada nos teatros gregos, inicialmente a televisão era ao vivo e havia pessoas contratadas para soprar o texto caso o ator se esquecesse da sua fala ou entrada. Porém, para se soprar um texto na televisão, era preciso ser discreto ao máximo, afinal, se o público ouvisse os sussurros desses ajudantes, a situação poderia ser vergonhosa.

O ator Ambrósio Fregolente, ao atuar em um programa de teatro ao vivo, na antiga rede Tupi de Televisão, no Rio de Janeiro, reconheceu sua dificuldade em decorar os textos e, para evitar constrangimento, pendurou suas falas num vaso de dálias instalado bem próximo da cena.

Como as folhas de papel e as flores não faziam parte do espetáculo, o contrarregra, desavisado, tirou tudo dali, inclusive o vaso, deixando o ator completamente desesperado com o programa em andamento e sem poder continuar a encenação. Fregolente grita:

-- “Onde estão as minhas dálias?”

Desde então, o vaso de dálias é usado em espetáculos teatrais e nos programas de televisão, onde, escondidas atrás das flores, ficam camuflados "as colinhas" dos atores.

Assim, mesmo sem estar escondido entre vasos e flores, esses pedaços de papéis ou de cartolina, que ainda socorrem os atores em cena, receberam o nome de dália e, até na era dos pontos eletrônicos, não foram totalmente aposentadas.

Quem era Fregolente, o Inventor da dália?

Ambrósio Fregolente foi um ator brasileiro, nascido em São Paulo, Capital, no dia 15 de outubro de 1912 e falecido em março de 1979.

Começou sua carreira de ator aos 33 anos. Foi um dos artistas que mais encenou os personagens de Nelson Rodrigues no teatro e no cinema. Quando formou-se em medicina, no ano de 1964, aos 52 anos de idade, telefonou para seu amigo Nelson Rodrigues para contar a novidade. Esse episódio foi depois contado pelo escritor em uma crônica publicada em 1966.

Ao morrer, Fregolente já contabilizava uma herança que poucos atores brasileiros conseguiram: a participação em mais de cem filmes e peças de teatro. O auge de sua carreira foi nas décadas de 1950, com as chanchadas da Atlântida Cinematográfica e, de 1960, com filmes dos mais diferentes gêneros como "O Homem do Sputnik"; "Cala a Boca, Etelvina"; "Cidade Ameaçada"; "Assalto ao Trem Pagador"; "Bonitinha, mas ordinária"; "Crônica da Cidade Amada"; "O Beijo", "O Mundo Alegre de Helô"; "O Homem que Comprou o Mundo"; "A Penúltima Donzela" e "Os Paqueras".

Também era pintor e músico. Na TV, atuou em "Dona Xepa", "Sinhazinha Flô" e "Dancin' Days", onde interpretou o personagem Veiga. Na década de 1970, se destacou nos filmes "Sedução"; "O Ibrahim do Subúrbio"; "O Casamento"; "Anchieta, José do Brasil" e "Gargalhada Final".

O MAIOR TEATRO A CÉU ABERTO DO MUNDO!

Todos os anos, nas semanas que antecedem a Páscoa, realiza-se o espetáculo da Paixão de Cristo de Fazenda Nova, na cidade de Brejo da Madre de Deus, no Agreste pernambucano; o evento, que é encenado naquele que é reconhecido como o maior teatro ao ar livre do mundo, colocou o Estado definitivamente na pauta do turismo nacional e internacional.

A Paixão de Fazenda Nova existe desde 1951, como espetáculo teatral. No início, era simplesmente uma manifestação religiosa de iniciativa do morador local
Epaminondas Mendonça. Ele se inspirou na Paixão que é encenada anualmente na cidade alemã de Oberammergau.

As primeiras apresentações eram feitas pelas ruas do povoado de Fazenda Nova, a um quilômetro da atual cidade-teatro, com a participação de artistas amadores, familiares e amigos.

A idéia de construir uma réplica dos locais onde se desenrolaram os sofrimentos e a morte de Jesus Cristo, em Jerusalém, partiu do gaúcho
Plínio Pacheco, que chegou a Fazenda Nova em 1956 e depois casou com Diva, filha de Epaminondas.

O projeto só começou a se concretizar em 1968, quando foi realizada a primeira encenação na hoje chamada Nova Jerusalém. Uma obra monumental cercada por uma muralha de pedras e 70 torres.

Os atores tomam cerca de duas horas para percorrer todos a área da encenação (ver mapa de Nova Jerusalém); sim, em vez de os cenários serem alterados a cada cena, como em um teatro convencional, são os atores que se locomovem pelos cenários.

Mais recentemente, atraída pela fama adquirida ao longo de anos pelo espetáculo da Nova Jerusalém, a Rede Globo se interessou em patrociná-lo e emprestar-lhe a participação de atores de seu elenco. Isso deu maior visibilidade na mídia às encenações, mas a fama e o prestígio do espetáculo encenado anualmente ali são mais antigos.

Em 2009, a estimativa é que 70 mil pessoas assistam ao espetáculo. Leia os resultados de pesquisa sobre a satisfação da audiência do espetáculo de Nova Jerusalém em 2007.

Testemunhos de muitos dos milhares de pessoas, do Brasil e do exterior, que já assistiram ao espetáculo são de que se trata de uma viagem no tempo. Com a réplica de Jerusalém na paisagem árida e semidesértica do Agreste, os cerca de 500 atores e figurantes que se deslocam por palcos monumentais, como o Palácio de Herodes, o Fórum de Pilatos, o Cenáculo onde Jesus ceou com os apóstolos antes de ser entregue às autoridades religiosas judaicas.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Curiosidades Teatrais: A QUARTA PAREDE



Mas afinal o que é a "quarta parede"?
Na última postagem, falei sobre o palco italiano, espaço teatral delimitado por boca de cena e coxia e caracterizado por disposição frontal da plateia – elementos que, associados, podem compor a noção de “quarta parede”.

Mas afinal o que é a “quarta parede”?

Sentado na plateia e envolvido com a história que se passa em frente aos seus olhos, você já imaginou de que forma os atores conseguem encenar o espetáculo sem se perturbar com ruídos, olhares e trejeitos do público?

Nós conhecemos o truque, aliás, o artifício, que isola o ator do público. Falamos dela, a “quarta parede”, uma divisória imaginária situada na frente do palco do teatro e através da qual a plateia assiste à ação do mundo encenado sem interferência. É uma quebra de artifício, na qual o público olha a “verdade”, como que por meio do buraco de uma fechadura.

No ocidente, essa expressão tem origem relacionada à estética teatral realista e naturalista do início do século XX. Esses movimentos visavam à quebra do que eles consideravam “artificial” nos palcos de sua época. Nesse sentido, dois aspectos distintos contribuem para o emprego dessa convenção teatral: o caráter espacial, que gera uma ruptura entre palco e plateia, e o de natureza dramatúrgica, que revela o artificialismo desse procedimento quando permite que o ator se dirija diretamente ao espectador, não o ignorando mais.

A estrutura do palco italiano, composto por parede de fundo e por duas paredes laterais, ao encontrar a boca de cena, forma a “quarta parede”: local onde o drama estaria enclausurado, fechado, concentrado sobre si. O espectador, por sua vez, aprecia o espetáculo na condição de voyeur, distante da ação.

A “quarta parede” é parte da chamada “suspensão da descrença”, um termo aplicado ao teatro, à literatura e ao cinema que se refere à vontade de um leitor ou espectador em aceitar como verdadeiras as premissas de um trabalho de ficção, mesmo que elas sejam fantásticas, impossíveis ou contraditórias.

É como se a platéia admitisse a presença de uma parede imaginária sem pensar nela, fazendo com que uma encenação seja tomada como um evento real a ser assistido. Já os atores utilizam essa convenção para buscar “verdade cênica”, voltando-se de forma mais eficiente à ficção e aos efeitos dramáticos; concentrando, por fim, sua atenção no palco e não no público.            

Entretanto, os espetáculos podem ser encenados com ou sem a “quarta parede”. Assim, temos, também, a expressão “quebrar a ‘quarta parede’”, que se refere a uma personagem dirigindo sua fala e atenção para a platéia, relembrando, assim, a todos os presentes, que as ações ali apresentadas não são reais, que tudo ali é fabular. Muitos artistas se utilizaram e se utilizam desse efeito para incitar a audiência a ver a ficção sob outro ângulo, assistindo-a de forma menos passiva.

“Quebrar a ‘quarta parede’” é um recurso também muito utilizado no teatro contemporâneo, no qual a plateia é convidada a interagir com os atores em determinados momentos e, nesses casos, os espectadores são tratados como testemunhas da ação em andamento.